EXPEDIENTE DO SITE
Diagramação: Marco Scalzo
Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
Olyntho Contente
Imprensa SeebRio
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (18) reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, passando de 15% para 14,75% ao ano. Esta é a primeira queda desde maio de 2024.
A decisão não corresponde às expectativas da sociedade de que era necessário um corte mais amplo para permitir um maior crescimento econômico e a redução do pagamento de juros e amortização da dívida pública – a maior parte em poder dos grandes bancos – já que grande parte dela é indexada à Selic. Ou seja, perde toda a sociedade brasileira e continuam ganhando os bancos.
O Copom alegou que o cenário externo elevou os riscos inflacionários e afirmou que seguirá acompanhando os desdobramentos, considerando os efeitos sobre cadeias globais, commodities e preços internos. Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, no entanto, a redução é insuficiente diante da realidade econômica do país. A entidade avalia que, mesmo com o corte, a taxa segue em nível elevado, mantendo o crédito caro e agravando o endividamento das famílias.
Dieese: descompasso entre o BC e a sociedade – De acordo com o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, Gustavo Cavarzan, a decisão evidencia a desconexão do Banco Central do Brasil com a realidade do país. “Durante o governo Jair Bolsonaro, o endividamento da população chegou a 80% e permanece nesse patamar. Ao mesmo tempo, a Selic foi elevada de 2% para 13,75% ao ano, encarecendo o crédito. Mesmo agora, com a inflação sob controle, o ritmo de queda é muito lento e mantém o país preso a uma política que transfere renda para o setor financeiro”, afirmou.
População sofre – Segundo ele, os impactos são diretos sobre a população. “Juros elevados reduzem investimentos, dificultam a geração de empregos e comprometem cada vez mais a renda das famílias com dívidas. A medida anunciada é insuficiente para reverter esse quadro.”
Gustavo também criticou a incoerência entre juros e inflação. “O Brasil segue com uma das maiores taxas reais de juros do mundo, enquanto a inflação no governo Luiz Inácio Lula da Silva está entre as menores desde 1999. Não há justificativa técnica consistente para manter os juros nesse nível.”
O secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale, também criticou a decisão. “A redução de 0,25 ponto é insuficiente diante da situação do país. O Banco Central segue adotando uma política que limita o crescimento, dificulta o crédito e penaliza trabalhadores.”
Também destacou quem se beneficia desse cenário. “Os juros elevados favorecem o sistema financeiro, que mantém seus lucros, enquanto a população enfrenta dificuldades para pagar suas dívidas. É preciso mudar essa lógica e priorizar o desenvolvimento econômico.”