Quarta, 04 Fevereiro 2026 17:38

Governo federal lança pacto contra o assassinato de mulheres no Brasil

Lula anuncia pacto nacional de combate ao assassinato de mulheres. Foto: Agência Brasil. Lula anuncia pacto nacional de combate ao assassinato de mulheres. Foto: Agência Brasil.

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Imprensa SeebRio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quarta-feira (4/2) da cerimônia de lançamento do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio no Palácio do Planalto, em Brasília. Trata-se de um acordo que une os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário - em uma ofensiva coordenada contra o assassinato de mulheres.

O evento marcou um ponto de inflexão na abordagem nacional do tema, com Lula posicionando-se não apenas como chefe de Estado, mas como aliado pessoal da causa, influenciado por alertas constantes de sua esposa, a socióloga Rosângela Lula Silva. Em seu discurso, Lula destacou a urgência de uma transformação cultural profunda, afirmando que a luta transcende leis e requer o engajamento ativo dos homens para erradicar padrões patriarcais enraizados.

Comitê contra o feminicídio – O presidente anunciou a criação de um comitê contra o feminicídio. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), disse que ele será formado por quatro representantes de cada Poder (Executivo, Legislativo e Judiciário). Segundo Lula, após a composição, esse comitê se reunirá para discutir um plano de trabalho comum com ações prioritárias, contundentes e efetivas para enfrentar o feminicídio.

Lembrou de uma conquista recente que foi a primeira ação governamental para impor punições econômicas a agressores, como o pagamento de pensão aos filhos até os 21 anos, citando um caso vitorioso na Segunda Vara Federal de Marília. Ele criticou falhas no sistema punitivo, evocando o ex-senador Franco Montoro para questionar por que certas leis “pegam” e outras não.

Uma mulher morta a cada seis horas – “A luta pela defesa da mulher não é só da mulher, é do agressor que é o homem”, declarou, convocando sindicatos, parlamentares, educadores e atletas a incorporarem o tema em suas rotinas para fomentar uma “nova civilização de iguais“. O presidente alertou para estatísticas alarmantes: a cada seis horas, uma mulher é assassinada no Brasil pelo simples fato de ser mulher, totalizando quatro vítimas diárias.

Listou formas de violência, tapas, socos, sufocamentos – e nomes de vítimas como Tainara, Fernanda, Catarina, Rita, Maria, Alane e Laíze, sublinhando que o feminicídio é “anunciado” por abusos cotidianos.

Lula apelou aos homens para desconstruírem o machismo: “Não basta não ser um agressor, é também preciso lutar para que não haja mais agressões”.

Defendeu a educação de meninos e a punição exemplar, além de criticar o uso de redes sociais para propagar ódio contra mulheres, e concluiu que a segurança feminina é essencial para a evolução democrática, prometendo um mundo “mais humanista e fraterno“.

A primeira-dama e socióloga Rosângela Lula Silva abriu a cerimônia com um relato pessoal impactante, descrevendo uma experiência de violência aos 17 anos por um parceiro mais velho. “Eu estava irreconhecível. Não foi só meu rosto que ele desfigurou, ele maculou a minha alma para sempre”, narrou, posicionando-se como sobrevivente e alertando que o ciclo de violência afeta todas as mulheres.

 

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